Ansiedade como um transtorno da vida moderna

Por Danielle Rodrigues Hassene

Atualmente, a ansiedade pode ser uma das consequências do estilo de vida contemporâneo, como excesso de informação, insegurança pessoal e profissional, competitividade, excesso de responsabilidades e cobranças.

Fatores socioeconômicos e ambientais, como incerteza, insegurança, desesperança, pouca infraestrutura, pobreza, violência, desigualdade social, desemprego e o estilo de vida em grandes cidades contribuem para o adoecimento populacional. 

Dados de uma pesquisa de 2016, da International Stress Management Association (ISMA-Brasil), revelam que 81% da população economicamente ativa sofre de ansiedade, 73% das pessoas revelam sentir angústia e que 61% se declaram em constante preocupação.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão, sendo que 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade, 5,8% da população tem depressão.

Como saber se você sofre ou não de ansiedade?

Em primeiro lugar, é preciso identificar o que são exatamente medo ou ansiedade e se estes são normais ou patológicos. O medo faz parte das emoções humanas normais e é decorrente da percepção de perigo ou ameaça iminente. A ansiedade ocorre como a antecipação de uma ameaça futura.

Ambas são originadas em áreas muito primitivas do cérebro responsáveis pelo impulso de fugir ou lutar, correr ou enfrentar um perigo ou ameaça, e foram essenciais à sobrevivência da espécie humana. São emoções distintas que podem coexistir em um indivíduo e consideradas normais como uma reação de adaptação limitada e episódica.

A ansiedade é uma emoção positiva que ajuda a reagir frente a ameaças, desafios ou imprevistos. Ao se preparar para responder a uma ameaça futura, o corpo reage com tensão constante, hipervigilância e comportamentos de cautela ou evitação. É considerada anormal quando se torna persistentemente elevada e altera o comportamento do indivíduo.

Os principais sintomas da ansiedade patológica incluem expectativa exagerada, preocupação constante, inquietude, cansaço, irritabilidade, isolamento social, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, taquicardia, sudorese, dispneia, cefaleia tensional e insônia.

Comportamentos de evitação e ataques de pânico são mecanismos de defesa à ansiedade patológica, caracterizados por reações de fuga desesperada e desorganizada.

Determinadas segmentos, como os profissionais de Saúde, sofrem implicações diretas no estilo de vida e se tornam mais susceptíveis à ansiedade patológica.

No caso dos médicos-veterinários, existem ainda algumas particularidades, como longa jornada de trabalho, competitividade, lidar com público hostil, empatia por animais adoecidos, pressões econômicas, pouca autonomia nas decisões, trabalho em equipe, eutanásia e o abate de animais.

Quando não tratada, a ansiedade se torna um fator de risco para depressão, abandono do emprego, evitação de situações cotidianas, como sair à noite ou viajar, transtornos do sono, abuso e dependência de substâncias, síndrome metabólica, obesidade, hipertensão, diabetes e até mesmo suicídio.

Quando pedir ajuda? É preciso estar atento e saber perceber quando algo não vai bem e a ansiedade alcançou níveis intoleráveis. O tratamento é multidisciplinar e inclui psicoterapia, hábitos de vida saudáveis, meditação e talvez a busca de auxílio médico especializado. Medicamentos antidepressivos e ansiolíticos aliados à psicoterapia, apoio de amigos e familiares são eficazes no tratamento.

Danielle Rodrigues Hassene – Médica psiquiatra e psicoterapeuta graduada pelo Instituto de Psiquiatria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ). Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e Associação Brasileira de Medicina do Sono. Professora e pesquisadora em transtornos de ansiedade, sono e síndrome de Burnout. Também é facilitadora do Projeto Sobre(o)Viver do CRMV-RJ.

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